v. 13, n. 15 (2010)

Educação em Foco

DOI: http://dx.doi.org/10.24934/eef.v13i15


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Em 1701, quando Leonardo Nardez e seus companheiros penetraram no planalto mineiro, deparando com uma grande mata que chamaram de caeté, na língua indígena: “mata virgem”, nascia a antiga Vila Nova da Rainha, hoje Caeté. Os paulistas foram seus primeiros habitantes, e em 1704, o arraial contava com numerosa população que, sentindo-se ameaçada pela invasão de aventureiros provindos do reino e de outras regiões brasileiras, reagiu pela posse das terras auríferas, culminando nas hostilidades, com o trágico episódio da Guerra dos Emboabas. Em 1708, Manoel Nunes Viana foi proclamado por seus companheiros, “Governador das Minas” e, liderando o grupo emboaba, tornou-se o primeiro ditador da única cidade político-administrativa independente da América. Exaurindo-se os aluviões auríferos, o arraial caiu em decadência. Renasceu economicamente em 1865, com as primeiras atividades industriais.

Localizada na Zona Metalúrgica, Caeté integra o Quadrilátero Ferrífero e a Zona Metropolitana de Belo Horizonte, encontrando-se a 53 km da capital. Com uma altitude de 935m, tem clima salubre e ameno, com verões e invernos brandos.

Em sua área de 528 km2, o município guarda lembranças de um passado de glória em monumentos que venceram o tempo e permanecerão sempre na sua paisagem colorida, de onde se descortina a poética Serra da Piedade.

Na serra, na praça fronteira à velha ermida, inteiramente calçada com pedras laminares provenientes das próprias formações geológicas próximas, a longitudinalidade da nave da ermida projeta-se portas afora, presidindo também o exterior e apontando para o grupo de estatuária, lançado sobre as rochas da extremidade oeste do platô que as contém. Esse grupo monumental de autoria do escultor eslavo Vlad Eugen Poenarù e executado em ferro fundido nodular representa o Cristo crucificado e agonizante, sua mãe - Nossa Senhora da Soledade - e o seu amigo e discípulo João - São João.

A modelagem dessas estátuas, bem como suas posteriores moldagem e fundição, foi trabalho de extensa cooperação entre profissionais de fundição residentes em Caeté, a Companhia Ferro Brasileiro (CFB) e o artista, todos mobilizados para tal obra. O conjunto das três estátuas em ferro nodular, com 3m metros de altura e cerca de uma tonelada cada foi terminado em 11 de abril de 1991.

 

Fonte: TAMBASCO, J. C. V. A serra e o santuário. Nossa Senhora da Piedade do Caeté: heranças das minas do ouro setecentistas. Vassouras: Edição do Autor, 2010.