Literatura e ditadura no Brasil: estilhaços da memória no romance Outros Cantos de Maria Valéria Rezende

Autores

  • Renata Cristina Sant'Ana

Palavras-chave:

Mulheres, ditadura, resistência, memória

Resumo

Este trabalho apresenta uma discussão em torno da relação entre literatura e história, realizada a partir da leitura do romance Outros Cantos de Maria Valéria Rezende (2016). A narrativa coloca em cena o tema da ditatura militar e, na esteira do debate sobre seletividade e abertura do campo literário para novas vozes, direciona o foco para a participação das mulheres na luta contra o regime que se instaurou no Brasil a partir de 1964. Trata-se de uma análise sobre o modo como a narrativa se estrutura a partir da inter-relação entre memória, realidade e ficção em um movimento entrecortado pelo passado e presente. À luz do pensamento de Agamben (2002, 2004) e dos trabalhos de Figueiredo (2017), Rosa (2013), Vecchi e Dalcastagné (2014) busco demonstrar o modo como o texto literário constrói quadros de memória que vão além dos já tradicionalmente representados por outros formatos narrativos, tidos como os oficiais da história.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer. O poder soberano e a vida nua. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

__________ . Estado de exceção. Tradução de Iraci D. Poleti. São Paulo: Boitempo, 2004.

BENJAMIN, Walter. Crítica da violência – crítica do poder. In: idem, Documentos de cultura, documentos de barbárie. São Paulo: Cultrix, 1986.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas I. São Paulo: Brasiliense, 1987.

Entrevista da escritora Maria Valéria Rezende concedida ao jornal Estadão. Maria Valéria Rezende narra luta invisível pela construção de um país mais justo. Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,maria-valeria-rezende-narra-luta-invisivel-pela-construcao-de-um-pais-mais-justo,10000018138. Acesso em: 27 fev. 2018

FIGUEIREDO, Eurídice. A literatura como arquivo da ditadura brasileira. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

MELO JÚNIOR, Maurício. O irrevogável sonho da revolução. Disponível em: http://rascunho.com.br/o-irrevogavel-sonho-da-revolucao/. Acesso em: 27 fev. 2018.

REZENDE, Maria Valéria. Outros Cantos. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2016.

REZENDE, Maria Valéria. Não nos lembramos dos rostos invisíveis. Disponível em: http://www.suplementopernambuco.com.br/edicao-impressa/67-bastidores/1517-n%C3%A3o-lembramos-dos-rostos-invis%C3%Adveis.html. Acesso em: 27 fev. 2018.

ROSA, Susel Oliveira da. Mulheres, ditaduras e memórias: “Não imagine que precise ser triste para ser militante”. São Paulo: Intermeios; Fapesp, 2013.

RUIZ, Castor M. M. B. A sacralidade da vida na exceção soberana e sua linguagem. (Re) leituras biopolíticas da obra de Giorgio Agamben. Cadernos IHU. Ano 10. no. 39, 2012.

VECCHI, Roberto; DALCASTAGNÈ, Regina. Apresentação. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, [S.l.], n. 43, p. 11-12, maio 2014. ISSN 2316-4018. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/10748. Acesso em: 17 fev. 2018.

Downloads

Publicado

08/06/2020

Como Citar

Sant’Ana, R. C. (2020). Literatura e ditadura no Brasil: estilhaços da memória no romance Outros Cantos de Maria Valéria Rezende. Mediação, (10), 53–64. Recuperado de https://revista.uemg.br/index.php/mediacao/article/view/4307

Edição

Seção

Artigos