Chamada para dossiê V. 3, N. 1 – jan./jun. 2021 - Da denúncia ao anúncio: caminhos para o trabalho com a educação e a linguagem para as próximas décadas

17/02/2021

Em celebração ao centenário de Paulo Freire, teórico que contribuiu para que compreendêssemos os mecanismos opressores que impedem os sujeitos de ser mais, e dizer sua própria palavra, pretendemos lançar luz sobre os caminhos do trabalho com a educação e a linguagem. Sabemos que os direitos não caem do céu. São produtos de conquistas humanas e evidenciam o grau de desenvolvimento de uma nação. O acesso à leitura, à escrita e à fruição é fundamental para que os sujeitos se façam, se inscrevam no mundo, e se tornem autônomos. Paulo Freire anunciava, há mais de 40 anos, uma educação libertadora e crítica, na qual mais do que escrever e ler a “asa é da ave”, os alfabetizandos necessitam perceber a necessidade de um outro aprendizado: o de escrever a sua vida, o de ler a sua realidade, o que não será possível se não tomam a história nas mãos para, fazendo-a, por ela serem feitos e refeitos (FREIRE, 1976, p. 19). Ou seja, é a conquista da própria palavra. Por isso mesmo, os processos formativos não podem ficar alheios à atividade produtiva e à cultura do povo.

Nesse sentido, lançamos luz também para os efeitos da alfabetização, da apropriação da forma escrita da língua e a sua relação com a forma da agência humana de explorá-la, em contextos materiais precisos e historicamente específicos, como assinala Graff (1994). Assim, o trabalho com a linguagem pode contribuir tanto para a libertação, quanto para a opressão, para o empowermet ou desempowerment das pessoas (homens, mulheres, crianças), sujeitos que estão sendo no mundo, de modo que diferentes tipos de práticas de letramento impulsionam diferentes tipos de aprendizagens.

Isto posto, no dossiê Da denúncia ao anúncio: caminhos para o trabalho com a educação e a linguagem para as próximas décadas reuniremos frutos de pesquisas e reflexões que apontem para o trabalho com a educação e a linguagem, em suas várias dimensões, sob o signo do direito à palavra. Nesse sentido, serão bem-vindos artigos e ensaios que abranjam as temáticas da alfabetização, da leitura e da escrita, da educação literária, que, para além da denúncia, anunciem práticas que vislumbrem o “esperançar” freireano, sejam elas orientadas por quaisquer epistemologias, no âmbito escolar ou fora dele e, sobretudo, primem pelo direito dos sujeitos de não esbarrarem na linguagem como o arame farpado da ascensão social, como bem nos ensina Gnerre

 

Organização deste número:

Prof.ª Dr.ª Ana Caroline de Almeida (IFRJ – Campus Pinheiral)

Prof.  M.Sc. Gabriel Teodoro Gomes (UEMG – Campanha)

Prof.ª Dr.ª Magda Dezotti (UEMG – Carangola)

 

As submissões deverão ser feitas exclusivamente pelo sistema da Sapiens até o dia 30 de abril de 2021.