OURIVESARIA POPULAR PORTUGUESA: TRADIÇÃO E CONTEMPORANEIDADE

Autores

  • Rosa Maria dos Santos Mota Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa

Resumo

A partir de meados do século XIX, no Norte de Portugal, propagou-se entre as populações rurais um significativo tipo de ourivesaria, conhecido por ouro popular. Este, constituía uma forma de ornamentação e reserva de valor, veiculava conceitos religiosos e amuléticos e estabelecia estatutos sociais e económicos entre os seus usuários. É composto por um conjunto delimitado e identificado de adornos com características formais e decorativas próprias e estáveis, ao longo do tempo, utilizando várias técnicas, destacando-se  a estamparia e a filigrana. Produzido em Gondomar e Travassos, sofreu alterações de uso durante o século XX. Porém, chegou ao século XXI, com alguns modelos recuperando o seu estatuto e a técnica da filigrana a ser utilizada em peças contemporâneas por designers e novos tipos de ourives.

 

Palavras-chave: Ouro popular português, filigrana, Gondomar, Travassos, Portugal.

Biografia do Autor

Rosa Maria dos Santos Mota, Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa

Investigadora do CITAR (Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes) da Universidade Católica Portuguesa e professora convidada da mesma instituição. O seu trabalho de pesquisa incide sobre o ouro popular e o seu percurso nos séculos XIX e XX, em Portugal, principalmente no Norte. Conta com 18 artigos e três livros publicados. Colabora regularmente com Associação de Ourives e Relojoeiros de Portugal em acções de estudo e divulgação da ourivesaria tradicional. Foi oradora convidada para encerrar o VI Congresso Europeu de Joalharia, em 2018, em Portugal, e abrir o I Simpósio Nacional de Ourivesaria, Joalharia e Design, em Belo Horizonte, Brasil, em 2017, e participou em 30 congressos e palestras em Portugal, Espanha e Brasil, e em dois documentários televisivos sobre a temática

Referências

BASTOS, Paixão – No coração do Alto Minho (a Póvoa de Lanhoso histórica e ilustrada). Braga: Imprensa Henriquina a Vapor, 1907.

CRUZ, António – Ourivesaria. In LIMA, Fernando de Castro Pires de (dir.) − A arte popular em Portugal. Lisboa: Verbo, 1963, p. 209.

MOTA, Rosa Maria dos Santos – O uso do ouro nas festas da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Porto: UCP, CIOMP, CITAR, 2011.

OLIVEIRA, Camilo ‒ Concelho de Gondomar. Porto: Livraria Avis, 1979, p. 108

PIMENTEL, Alberto − O Porto na berlinda: memórias d´uma família portuense. Porto: Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1894, pp. 60 a 62.

SANTOS, Manuela Alcântara − Ourives de Guimarães: ao serviço de Deus e dos homens. Guimarães: Museu de Alberto Sampaio, 2009.

SOUSA, Gonçalo de Vasconcelos e – Tesouros privados: a joalharia na região do Porto (1865-1879). Porto: CIONP; CITAR; UCE-Porto, 2012.

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Publicado

17/09/2020

Como Citar

Mota, R. M. dos S. (2020). OURIVESARIA POPULAR PORTUGUESA: TRADIÇÃO E CONTEMPORANEIDADE. REVISTA TRANSVERSO: DIÁLOGOS ENTRE DESIGN, CULTURA E SOCIEDADE, (8). Recuperado de https://revista.uemg.br/index.php/transverso/article/view/3966