Joaquim Tenreiro em Cataguases: experimento para um novo mobiliário moderno
DOI:
https://doi.org/10.36704/pendes.v5i1.9771Palavras-chave:
Cataguases, Joaquim Tenreiro, mobiliário moderno, design brasileiroResumo
A cidade de Cataguases, Minas Gerais, é um caso singular no contexto do modernismo brasileiro. Impulsionada pela elite cultural e econômica da cidade, a experiência vanguardista uniu literatura, artes plásticas, cinema, arquitetura e design. Nesse contexto, a figura de Joaquim Tenreiro, reconhecido como criador do móvel moderno brasileiro, assume um papel protagonista. Este artigo investiga sua contribuição para o design brasileiro a partir da encomenda para o projeto de interiores da residência de Francisco Peixoto, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Este episódio não apenas deu início à sua produção autoral, mas também consolidou a base do que viria a ser o mobiliário moderno brasileiro. Tenreiro sugeriu uma renovação formal do móvel que mesclava a modernidade com referências à tradição colonial lusobrasileira, especialmente no uso de materiais naturais e na defesa da fabricação artesanal, resultando em móveis leves que se distanciavam do mobiliário eclético então predominante. A investigação que embasa este artigo foi
construída a partir de revisão bibliográfica e documental, em conjunto com um trabalho de campo realizado em Cataguases em 2018.
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