História oral da APAC: inovação humanizadora e saberes decoloniais na gestão prisional
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Subjetividade, Pensamento Complexo, Epistemologias Plurais.Resumo
O artigo tem como propósito ampliar a compreensão da História Oral enquanto metodologia crítica, situada e comprometida com a valorização das experiências humanas. A partir de uma revisão bibliográfica, propõe-se uma análise dos fundamentos epistemológicos e políticos da História Oral, articulando-a às contribuições da teoria histórico-cultural, do pensamento complexo e da perspectiva decolonial. A reflexão enfatiza o papel da História Oral como ferramenta metodológica e epistêmica de resistência, voltada à valorização da subjetividade, da memória e das narrativas de sujeitos historicamente silenciados. Busca-se evidenciar sua relevância para a democratização do conhecimento e a promoção de epistemologias plurais, especialmente quando aplicada ao contexto prisional do método APAC, no qual a escuta e a interpretação das trajetórias pessoais se convertem em práticas de reconstrução identitária e de afirmação da dignidade humana.
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