“Ele disse para eu ficar trabalhando até mais tarde com ele, mal sabia eu o que ele realmente queria”: o assédio moral e sexual contra estagiárias em Maringá

Marjorie Corrêa Gracino, Thiago Soares Nunes

Resumo


Este artigo objetiva descrever as situações vivenciadas e consequências proporcionadas pelas ocorrências de assédio moral e sexual por alunas de graduação de Universidades públicas e privadas da região de Maringá/PR durante os seus períodos de estágio. A pesquisa foi classificada como qualitativa e descritiva, sendo a mesma divulgada nas redes sociais. Os dados foram coletados em agosto de 2017, por meio de entrevistas (semiestruturadas) com cinco mulheres. Identificou-se que as situações hostis vivenciadas pelas mulheres estão vinculadas ao assédio pessoal, ou seja, são comentários ofensivos sobre a pessoa, alvos de sarcasmos e brincadeiras excessivas. Sofrendo, algumas também, assédio sexual, tanto em comentários e elogios sobre a aparência quanto atentado ao pudor. Como consequência desta violência, foi identificado de forma mais frequente: crises de choro, mal-estar, sentimento de culpa, humilhação e inferiorização, vergonha e constrangimento, além de vontade/desligamento do estágio e desejo de mudar de área. Deste modo, é fundamental que ações e estratégias sejam criadas e iniciadas para orientar e auxiliar as acadêmicas em relação as vivencias destas e outras violências nos estágios, aos quais elas se sentem completamente desamparadas, seja na organização ou na própria universidade que deveria ampará-las neste processo. 


Palavras-chave


Assédio moral; Assédio sexual; Estágio; Mulheres

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