ENSINAR MATEMÁTICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL:

POSSIBILIDADE E ADAPTAÇÕES

Visualizações: 15

Autores

  • Laércio de Jesus Café
  • Eduardo Vinícius da Silva

Palavras-chave:

Educação Inclusiva, Deficiência Intelectual, Ensino de Matemática, Adaptações Curriculares, Aprendizagem Significativa

Resumo

O ensino de Matemática para alunos com deficiência intelectual representa um dos maiores desafios da educação inclusiva, exigindo do professor não apenas domínio dos conteúdos matemáticos, mas também sensibilidade pedagógica e estratégias diferenciadas que respeitem o ritmo e as potencialidades de cada estudante. Esta pesquisa bibliográfica tem como objetivo analisar as possibilidades e adaptações necessárias ao ensino da Matemática para alunos com deficiência intelectual, a partir de estudos teóricos, artigos científicos e documentos orientadores da educação inclusiva. A análise evidencia que a aprendizagem matemática desses alunos é possível e significativa quando o processo de ensino considera a mediação adequada, o uso de materiais concretos e a contextualização dos conceitos no cotidiano do estudante. Pesquisas de autores como Vygotsky (1991) e Mantoan (2003) sustentam a importância da interação social e da zona de desenvolvimento proximal como caminhos para promover a construção do conhecimento. Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça a necessidade de práticas pedagógicas acessíveis e flexíveis, garantindo o direito à aprendizagem de todos. As adaptações curriculares, como simplificação de atividades, uso de jogos, recursos visuais e tecnológicos, contribuem para a compreensão e fixação dos conteúdos, favorecendo a autonomia e o desenvolvimento cognitivo. O papel do professor é central nesse processo, atuando como mediador e planejador de situações didáticas que despertem o interesse e valorizem o progresso individual. Conclui-se que ensinar Matemática a alunos com deficiência intelectual é uma tarefa possível e necessária, desde que ancorada em práticas inclusivas, formação docente contínua e políticas educacionais que assegurem suporte pedagógico e recursos adequados. Dessa forma, a escola cumpre sua função social ao garantir o acesso, a permanência e o aprendizado de todos os estudantes, promovendo uma educação verdadeiramente inclusiva e equitativa.

Referências

BUSCAGLIA, L. F. Os deficientes e seus pais. Tradução de Raquel Mendes. 5 ed. Rio de Janeiro: Record, 2006

CAPARROZ, F. Entre a Educação Física na Escola e a Educação Física da Escola. São Paulo: Cia. Dos Livros; 2008.

CARLETTO, A. C; CAMBIAGHI, S. Desenho universal: um conceito para todos. São Paulo: Mara Gabrilli; 2018.

CARMO, J. S. Aprendizagem de conceitos matemáticos em pessoas com deficiência intelectual. Revista de Deficiência Intelectual, v.3, p.43-48, 2012

JOURDAIN, A; NAULIN, S. A Teoria de Pierre Bourdieu e Seus Usos Sociológicos - Col. Sociologia: Pontos de Referência. São Paulo; Vozes: 2017.

KRANZ, C. R. Matemática inclusiva: o desenho universal e os jogos com regras. In: Diversa: educação inclusiva na prática. Instituto Rodrigo Mendes. Março de 2017. Disponível em: http://diversa.org.br/artigos/matematica-inclusiva-desenho-universal-jogos-com-regras/ Acesso em Set de 2025

LANUTTI, J. E. O. E. Educação Matemática e Inclusão Escolar: a construção de estratégias para uma aprendizagem significativa. Presidente Prudente-SP; Unesp; 2015.

PASSOS, A. M; PASSOS, ARRUDA, S. M. A Educação Matemática Inclusiva no Brasil: uma análise baseada em artigos publicados em revistas de Educação Matemática. RBECT., vol 6, núm. 2, mai-ago.2013

STHHERLAND, R. . Ensino eficaz de Matemática. 2009

ROPOLI, E. A et al. A Educação Especial na perspectiva da inclusão escolar: a escola comum inclusiva. Brasília/Fortaleza: MEC / Secretaria da Educação Especial / UFC: 2010.

ROSSIT, R. A. S. Matemática para deficientes mentais: contribuições do paradigma de equivalência de estímulos para o desenvolvimento e avaliação de um currículo. 2003. 180f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Educação Especial, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2003.

SAVIAN, D. A educação na Constituição Federal de 1988: avanços no texto e sua neutralização no contexto dos 25 anos de vigência. RBPAE - v. 29, n.2, p. 207-221, mai/ago. 2013.

SILVA, C. M. Os desafios da educação inclusiva e a escola hoje. Anuário de produções acadêmico-científicas dos discentes da Faculdade Araguaia. v.3 ∙ 2015 p. 133-146

VIEIRA, S. L. A educação nas constituições brasileiras: texto e contexto. R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 88, n. 219, p. 291-309, maio/ago. 2007.

WERNECK, Cláudia. Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1998.

Downloads

Publicado

2026-07-16

Como Citar

DE JESUS CAFÉ, Laércio; VINÍCIUS DA SILVA, Eduardo. ENSINAR MATEMÁTICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL:: POSSIBILIDADE E ADAPTAÇÕES. Intercursos, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 50–60, 2026. Disponível em: https://revista.uemg.br/intercursosrevistacientifica/article/view/10530. Acesso em: 4 ago. 2026.