Ficção e alteridade: O Guarani, de José de Alencar

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Autores

Palavras-chave:

José de Alencar, O Guarani, colonizador, colonizado, branco, indígena.

Resumo

Este ensaio procura demonstrar, mediante a análise das vozes narrativas, que existem dois planos de discurso em O guarani: o do enunciado e o da enunciação. No primeiro, o narrador tenta valorizar o congraçamento entre o português e o indígena, para construir o mito do surgimento do povo brasileiro. No segundo, procuramos mostrar, no entanto, que a narrativa de Alencar oculta outro discurso que, por sua vez, anula a voz do indígena, ao fazer valer, na voz das personagens portuguesas, que representam o colonizador, o preconceito no que diz respeito ao universo simbólico do nativo, por meio da negação de sua língua, religião, costumes, comportamento,  dentre outros valores culturais, pois o indígena, na perspectiva do colonizador, não é um ser humano, mas um não ser que precisa, portanto, de aprender a falar a língua do civilizado e a se comportar em conformidade com o cânone cultural europeu. Assim, pode-se observar, por meio da análise literária do romance, que o discurso camuflado do narrador de José de Alencar valoriza nitidamente a cultura eurocêntrica (do colonizador) em detrimento da cultura do nativo (do colonizado).

Biografia do Autor

José Osmar de Melo, Universidade do Estado de Minas Gerais Universidade do Estado do Rio de Janeiro

UEMG, Unidade Abaeté

Letras

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Publicado

15/07/2026

Como Citar

de Melo, J. O. (2026). Ficção e alteridade: O Guarani, de José de Alencar. Revista Mediação, 2026(14). Recuperado de https://revista.uemg.br/mediacao/article/view/4425

Edição

Seção

Artigos