Ressonâncias da memória, arte e travessias

A interseccionalidade feminina no Museu Casa Henriqueta Prates

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36704/sapiens.v7i2.10281

Palavras-chave:

memória; interseccionalidade; arte multifacetada; mulheres negras.

Resumo

Por meio da crítica feminista negra, Akotirene (2019) chamou a atenção para os sistemas de opressão e expôs impedimentos impostos a mulheres negras de assumirem posições de liderança na sociedade brasileira. A violência de gênero, já conhecida pelo sexo feminino,  intensifica-se com as intersecções de gênero e raça, quando mulheres negras são impedidas de exercerem suas profissões ou são destinadas a trabalhos abaixo de sua qualificação por conta dos critérios arbitrários do racismo e do machismo. Em cenário de resistência à estruturação social descrita, duas mulheres negras estão em enunciação no Museu Regional de Vitória da Conquista Casa Henriqueta Prates, fundado em 1991 e mantido pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). A patrona, Henriqueta Prates dos Santos Silva, mulher negra, até hoje alçada à memória social do lugar, uma liderança feminina que atravessou o século XX, acumulando respeito e admiração públicas; e Edméa Ribeiro de Oliveira, mulher negra, mãe, esposa e educadora, que assina por um método próprio na produção das artes visuais na pintura. Mantida a estrutura de intersecção de gênero e raça, ambas as mulheres têm biografias expostas em movimento de superação do patriarcado e do racismo. Com o presente artigo, pretende-se apresentar o protagonismo de memórias femininas neste espaço museal mediante as travessias possíveis deste movimento que valoriza e viabiliza a reparação histórica de lideranças de mulheres negras no Brasil.

Biografia do Autor

Tayara Barreto de Souza Celestino, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (PPGS/UFS), Mestra em Culturas Populares pela Universidade Federal de Sergipe (PPGCULT/UFS), São Cristóvão/SE. Especialista em Museografia e Patrimônio Cultural pelo Claretiano Centro Universitário, Batatais/SP. Especialista em Docência para a Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFS-ES). Especialista em Gestão Social e Patrimônio Cultural pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Pós-doutoranda em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista/BA. Bolsista pós-doc pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB). Integrante do Laboratório de Estudos Urbanos e Culturais (Labeurc-CNPq-UFS). 

Referências

AKOTIRENE. Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Polém, 2019.

CELESTINO, T. B. S. Mulheres brasileiras da memória ou contribuições de Bosi, Queiroz, Alberti e Worcman para a teoria da memória no Brasil. In: Rosilene Dias Montenegro. (Org.). História das Ciências e Tecnologia: Onde estão as Mulheres? Campina Grande: Amplla, 2021.

______. Políticas de patrimônio: Tesouros Humanos Vivos no Brasil. In: Luciano Chinda Doarte, Felipe Augusto Tkac. (Org.). Patrimônio Cultural, Direitos Humanos e Democracia: da experiência cultural às questões sociopolíticas. Curitiba: Instituto Memória, 2022.

NOVAIS, Suzimar dos Santos. Mulheres sertanejas: política e economia no sertão da ressaca. Dissertação (mestrado). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2011.

PERROT, Michelle. As mulheres ou os silêncios da história. São Paulo: EDUSC, 2005.

______. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

RANCIÈRE, Jacques. Aisthesis: cenas do regime estético da arte. São Paulo: Editora 34, 2021.

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. “O diabo na rua, no meio do redemoinho...”. São Paulo: Cia das letras, 2019.

ROSA, Hartmut. Aceleração: a transformação das estruturas temporais na modernidade. São Paulo: Unesp, 2019.

______. La “resonancia” como concepto fundamental de una sociología de la relación con el mundo. In: Revista Diferencias, n. 7, 2019.

UNESCO. Directrices para la creación de sistemas nacionales de “Tesoros Humanos Vivos” [1993]. Disponível em < https://ich.unesco.org/doc/src/00031-ES.pdf >, acesso em 15 de julho de 2025.

UNESCO. Captar lo inmaterial: una mirada al patrimonio vivo. FRELAND, François-Xavier (Org.). Paris: Unesco, 2009. Disponível em < https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000187119 >, acesso em 15 de julho de 2025.

YATES, Frances Amelia. A arte da memória. Campinas: Unicamp, 2007.

Downloads

Publicado

2025-12-15

Como Citar

Barreto de Souza Celestino, T. (2025). Ressonâncias da memória, arte e travessias: A interseccionalidade feminina no Museu Casa Henriqueta Prates. SAPIENS - Revista De Divulgação Científica, 7(2), 167–176. https://doi.org/10.36704/sapiens.v7i2.10281