Espaços de violência e sonho da intimidade
Uma leitura de Barba de Arame sob à luz da poética do espaço de Bachelard
Palabras clave:
espaço, infância, violência, poética, exclusãoResumen
Este artigo analisa o conto “Barba de Arame”, de Antônio Carlos Viana, à luz da obra A Poética do Espaço, de Gaston Bachelard, e de outros teóricos como Sigmund Freud, Sonia Peixoto, Maria Zilda Ferreira e Michel de Certeau. O objetivo é compreender como a espacialidade funciona como elemento estruturante da narrativa, não apenas como cenário, mas como expressão das marcas simbólicas do corpo, da violência e da exclusão social. A análise parte da leitura crítica do conto, destacando sua economia de linguagem e sua representação da infância marginalizada, e articula essas observações com conceitos como o abrigo, a casa, o espaço praticado e o corpo como território simbólico. Através desse diálogo, revela-se como a literatura de Viana convoca o leitor a testemunhar formas silenciosas de sofrimento e resistência, fazendo do espaço uma categoria estética, ética e política.
Citas
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