Afetos e memória: o cinema na historicização da ditadura militar brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36704/rhp.v3i6.9383

Palavras-chave:

Ditadura, Cinema, Memória, História

Resumo

Este artigo busca refletir sobre a relação entre cinema, educação, memória e história. Partimos da premissa de que as imagens cinematográficas sobre o período da ditadura militar no Brasil possuem um potencial educativo, contribuindo para a historicização de passados sensíveis. Argumentamos que o cinema, mais do que uma linguagem, é um espaço de afetos que favorece a formação ética, política e estética dos espectadores, além de ser fundamental na construção da memória coletiva, ao dar visibilidade às experiências das vítimas das ditaduras e permitir ao público ver, sentir e refletir criticamente sobre esse período. Por fim, destacamos que a presença do cinema nacional nas instituições escolares cria brechas para romper com o esquecimento e as narrativas ocidentais universalistas, possibilitando novas interpretações e narrativas sobre a ditadura militar no Brasil.

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Publicado

2025-12-09

Como Citar

Ivo, L. V., & Coura, I. (2025). Afetos e memória: o cinema na historicização da ditadura militar brasileira . Revista Histórias Públicas, 3(6), 41–65. https://doi.org/10.36704/rhp.v3i6.9383

Edição

Seção

Dossiê - História Pública e Ensino de História: Possibilidades e Interseções