Entre epistemologias e práticas: docência, interseccionalidade e saberes na educação prisional
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Docência, Educação prisional, InterseccionalidadeResumo
O texto problematiza os fundamentos epistemológicos da produção de conhecimento no campo educacional, destacando como os modos hegemônicos de pensar a docência, os sujeitos e as práticas pedagógicas tendem a ser naturalizados. A reflexão articula debates teóricos da disciplina Sujeitos e Práticas da Educação com uma pesquisa sobre os saberes construídos por docentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma unidade prisional da APAC, buscando confrontar hierarquias epistêmicas que deslegitimam conhecimentos produzidos em contextos marginalizados. A análise parte da crítica à epistemologia moderna ocidental, fundada no cogito cartesiano, que institui uma separação entre sujeito e objeto e privilegia a razão abstrata. Esse modelo, apresentado como universal, é historicamente situado e produz exclusões ao desqualificar saberes baseados na experiência, no corpo e na coletividade. No contexto da educação prisional, isso se manifesta na desvalorização dos saberes docentes construídos na prática. O texto defende uma pedagogia engajada, baseada no diálogo, no cuidado e no reconhecimento das identidades como construções sociais atravessadas por raça, classe e gênero. A educação prisional é apresentada como espaço de disputa: pode reforçar o controle penal ou possibilitar processos emancipatórios e de reconstrução de projetos de vida.
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