NÃO É DESINTERESSE, É INCOMPATIBILIDADE ESTRUTURAL:

perfil socioeconômico e múltiplas jornadas de trabalho das professoras polivalentes que ensinam Matemática nos Anos Iniciais

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Palavras-chave:

Professora polivalente, Formação continuada em Matemática, Dupla jornada, Divisão sexual do trabalho, Trabalho docente

Resumo

Este artigo analisa como o perfil socioeconômico e a dupla jornada de professoras polivalentes que ensinam Matemática nos Anos Iniciais da rede municipal de Ibirité (MG) condicionam sua participação na formação continuada. Trata-se de recorte de pesquisa de Doutorado, de abordagem mista, com 129 docentes e grupo focal com cinco participantes. Os dados foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo temática em perspectiva hermenêutico-crítica. Os resultados indicam um corpo docente majoritariamente feminino (97,7%), com alta incidência de maternidade, múltiplos turnos de trabalho e renda entre três e seis salários mínimos. O cruzamento entre jornada, maternidade e interesse formativo revela que o aumento da sobrecarga intensifica a resposta “talvez”, evidenciando a tensão entre desejo de formação e impossibilidade concreta de participação. À luz da Teoria da Reprodução Social e da divisão sexual do trabalho, argumenta-se que a baixa adesão à formação continuada em Matemática não decorre de desinteresse, mas de incompatibilidade estrutural entre os formatos formativos e a vida das docentes. Conclui-se pela necessidade de políticas públicas que integrem o tempo de formação à jornada remunerada e considerem as condições reais das professoras.

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Publicado

25-06-2026

Como Citar

Anastácio, L. R., & Camilo, R. da C. (2026). NÃO É DESINTERESSE, É INCOMPATIBILIDADE ESTRUTURAL: : perfil socioeconômico e múltiplas jornadas de trabalho das professoras polivalentes que ensinam Matemática nos Anos Iniciais. Revista Interdisciplinar Sulear, (22), 168–187. Recuperado de https://revista.uemg.br/sulear/article/view/11008