Educação do campo e ciências ambientais na BNCC
Uma análise documental de competências, habilidades e lacunas formativas
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https://doi.org/10.36704/sapiens.v8i1.10616Palavras-chave:
educação do campo, BNCC, ciências ambientais, educação ambiental, currículoResumo
Este artigo examina de que modo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trata conteúdos e expectativas de aprendizagem associados às Ciências Ambientais e quais são as consequências dessa formulação para a Educação do Campo. O ponto de partida é uma inquietação recorrente nas escolas do campo: quando o currículo nacional descreve competências e habilidades ambientais em termos muito gerais, a leitura do território, o trabalho, os modos de vida e os conflitos socioambientais locais podem aparecer apenas de forma indireta, ou sequer aparecer. Assim, o objetivo foi identificar, no texto da BNCC, os principais enunciados ligados a ambiente, sustentabilidade, riscos, saúde coletiva e uso de recursos naturais, discutindo tanto as aberturas quanto as lacunas formativas para contextos rurais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, baseada em leitura integral do documento e em análise de conteúdo orientada por categorias como territorialidade, interdisciplinaridade, participação social, justiça socioambiental e contextualização pedagógica. Os achados indicam que a BNCC oferece pontos de apoio para abordagens interdisciplinares e para a articulação entre ciência, tecnologia e cidadania, mas tende a privilegiar formulações amplas e expectativas centradas em atitudes individuais. Permanecem pouco explicitadas dimensões decisivas para a Educação do Campo, como desigualdades territoriais, conflitos ambientais e vínculos entre produção, natureza e comunidade. Conclui-se que, para ganhar densidade formativa no campo, a BNCC precisa ser lida em diálogo com diretrizes públicas específicas e com projetos pedagógicos territorializados.
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