Alfabetização e recomposição das aprendizagens no pós-pandemia

Práticas docentes e desigualdades em contextos situados

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.36704/sapiens.v8i2.10880

Palavras-chave:

alfabetização; letramento; desigualdades educacionais; prática social situada.

Resumo

O artigo analisa as tensões entre políticas curriculares e práticas docentes de alfabetização no contexto de recomposição das aprendizagens no período pós-pandêmico (2022–2024), com foco no município de Carangola/MG. Fundamentado na concepção de alfabetização como prática social situada, o estudo articula os Novos Estudos do Letramento, a perspectiva dialógica de Paulo Freire e a distinção entre alfabetização e letramento proposta por Magda Soares. De abordagem qualitativa e interpretativa, a pesquisa mobiliza uma estratégia de triangulação que integra dados de survey institucional, entrevistas narrativas com docentes e indicadores de desempenho em alfabetização. Os resultados evidenciam um descompasso entre políticas oficiais, orientadas por metas de proficiência e avaliações padronizadas; e o cotidiano escolar, marcado por práticas docentes que reconfiguram o ensino da escrita diante de turmas heterogêneas, desigualdades socioculturais e limitações estruturais. Tais práticas assumem caráter híbrido, combinando estratégias voltadas ao domínio do sistema de escrita com ações que valorizam a oralidade e as experiências dos estudantes, variando conforme as condições de ensino: enquanto contextos urbanos evidenciam maior presença de suporte colaborativo, contextos rurais revelam maior incidência de limitações materiais e institucionais. Conclui-se que a recomposição das aprendizagens não se efetiva de forma linear, sendo condicionada às condições concretas de ensino, à densidade do suporte institucional e à capacidade de mediação crítica das docentes frente às prescrições curriculares. O estudo contribui ao deslocar o debate sobre alfabetização pós-pandemia de uma lógica centrada em resultados para uma abordagem que privilegia as condições sociais e pedagógicas de produção do aprendizado.

Biografia do Autor

Magda Dezotti, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)

Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife/PE. Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR. Bolsista do Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa – PQ/UEMG. Docente do Departamento de Educação, Linguística e Letras da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Carangola/MG. Coordenadora do subprojeto Alfabetização PIBID na UEMG, unidade Carangola. Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Profissão e Formação de Docente (GEPROF). Membro do coletivo AlfaRede e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Linguagem (NEPEL).

 

Elise Murer Fraga, Universidade do Estado de Minas Gerias (UEMG)

Especialista em Gestão Escolar pela Faculdade do Leste Mineiro (FACULESTE), Coronel Fabriciano/MG. Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Carangola/MG. Docente da Rede Municipal de Carangola/MG, atuando como AEE no Centro de Educação Infantil Lelena de Oliveira. Docente regente na Escola Municipal João Batista Grossi. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Profissão e Formação de Docente (GEPROF).

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Publicado

2026-09-20

Como Citar

Dezotti, M., & Fraga, E. M. (2026). Alfabetização e recomposição das aprendizagens no pós-pandemia: Práticas docentes e desigualdades em contextos situados. SAPIENS, 8(2), 187–202. https://doi.org/10.36704/sapiens.v8i2.10880