Design como estratégia de Educação Ambiental: desenvolvimento de sinalização interpretativa para combater a impercepção botânica no Parque Estadual do Sítio do Rangedor
Visualizações: 0Palavras-chave:
design de informação, impercepção botânica, sinalizaçãoResumo
Este artigo apresenta o desenvolvimento de um sistema de sinalização interpretativa para o Parque Estadual do Sítio do Rangedor (São Luís, MA), concebido como resposta ao fenômeno da impercepção botânica, que é a dificuldade humana de perceber e valorizar as plantas no entorno. O projeto fundamenta-se nos cinco planos da experiência do usuário de Garrett (2011), na metodologia de design de sinalização de D’Agostini (2017) e nos princípios do interpretive signage e do Design da Informação. Foram identificadas 12 espécies arbóreas e arbustivas nas áreas de maior circulação do parque, para as quais foram desenvolvidas placas com nome popular e científico, características morfológicas e ecológicas, usos tradicionais, mapa de distribuição geográfica, status de conservação, pictogramas e QR code com acesso ao portal Flora e Funga do Brasil. O sistema gráfico articula hierarquia visual, legibilidade, tipografia e identidade cromática derivada da marca do parque. A proposta, em fase de protótipo digital, evidencia o potencial do Design da Informação como ferramenta de mediação entre ciência e público leigo em unidades de conservação urbanas, com possibilidade de replicação em contextos similares.
Referências
AJZEN, I.; FISHBEIN, M. Understanding attitudes and predicting social behavior. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1980.
ALMEIDA JR., E. B. et al. Estudo florístico no Parque Estadual do Sítio do Rangedor, um fragmento florestal urbano em São Luís, Maranhão, Brasil. Revista Biodiversidade, v. 20, n. 3, p. 133-144, 2021.
ARAÚJO, A. C. C. de. Comunicação visual no processo de geração de ideias: uma proposta para a técnica de criatividade Creation. 2018. Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/25967/1/. Acesso em: 15 set. 2024.
CALORI, C.; VANDEN-EYNDEN, D. Signage and wayfinding design: a complete guide to creating Environmental Graphic Design Systems. 2. ed. Nova York: Wiley, 2015.
CARVALHO, J.; ARAGÃO, I. Infografia: conceito e prática. Infodesign, v. 9, n. 3, p. 160-177, 2012.
CECHETTO, C. T.; CHRISTMANN, S. S.; DE OLIVEIRA, T. D. Arborização urbana: importância e benefícios no planejamento ambiental das cidades. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO NO MERCOSUL, 16., 2014, Cruz Alta. Anais [...]. Cruz Alta: Universidade de Cruz Alta, 2014.
COELHO, A. G. S. Para que serve a legislação ambiental: um estudo de caso da Estação Ecológica do Rangedor na cidade de São Luís-MA. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPPAS, 5., 2010, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: ANPPAS, 2010.
COLLI-SILVA, M. et al. Evidências de cegueira botânica em uma área verde brasileira com árvores plaqueadas. Paisagem e Ambiente, v. 30, n. 43, e151370, 2019. DOI: 10.11606/issn.2359-5361.paam.2019.151370.
CUNHA, A. A. et al. A conexão com a natureza em parques urbanos brasileiros e sua contribuição para o bem-estar da população e para o desenvolvimento infantil. Sociedade & Natureza, v. 34, 2022. DOI: 10.14393/SN-v34-2022-65411.
D’AGOSTINI, D. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017.
FLORA E FUNGA DO BRASIL. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Reflora, 2024. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/. Acesso em: 24 jul. 2024.
FRASCARA, J. Communication design: principles, methods, and practice. Nova York: Allworth Press, 2004.
GARRETT, J. J. The elements of user experience: user-centered design for the web and beyond. 2. ed. Nova York: New Riders, 2011.
GOBSTER, P. H. Urban park restoration and the “museumification” of nature. Nature and Culture, Cambridge, v. 2, n. 2, p. 95-114, 2007. DOI: 10.3167/nc2007.020201.
GOMES, R. R. F. Vegetação do Maranhão. Infoescola, 2017. Disponível em: https://www.infoescola.com/geografia/vegetacao-do-maranhao/. Acesso em: 15 set. 2024.
GOZZER, E. K. Gamificação em roteiros ambientais: um estudo de caso sobre a impercepção botânica. 2023. Monografia (Graduação em Ciências Biológicas) – Instituto Federal do Espírito Santo, Santa Teresa, 2023.
HAM, S.; KRUMPE, E. Identifying audiences and messages for nonformal environmental education: a theoretical framework for interpreters. Journal of Interpretation Research, v. 1, n. 1, p. 11-23, 1996.
HAMMITT, W. Cognitive processes involved in environmental interpretation. Journal of Environmental Education, v. 15, n. 4, p. 11-15, 1984.
JENSEN, K. A. Effects of the artistic design of interpretive signage on attracting power, holding time and memory recall. 2006. Dissertação (Mestrado) – Humboldt State University, 2006.
KATON, G. F.; TOWATA, N.; SAITO, L. C. A cegueira botânica e o uso de estratégias para o ensino de botânica. Botãnica no Inverno, São Paulo, v. 3, p. 179-182, 2013.
LEWRICK, M.; LINK, P.; LEIFER, L. The design thinking toolbox: a guide to mastering the most popular and valuable innovation methods. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2020.
LIPTON, R. The practical guide to information design. Hoboken: John Wiley & Sons, 2007.
LOBO, Letícia Maria Muniz; FERNANDES, Fabiane; MARINHO, Lucas Cardoso. Design de informação para a educação ambiental: combatendo a impercepção botânica no Parque do Rangedor, São Luís-MA... In: Anais do X Simpósio de Design Sustentável + Sustainable Design Symposium. Anais [...]. Disponível em: https://www.even3.com.br/anais/xsds2025/1111318-imagens-do-lixoceno--cultivar-imaginarios-por-meio-do-design-em-um-mundo-de-residuos/. Acesso em: 17 abr. 2026.
MALAMED, C. Visual language for designers: principles for creating graphics people understand. Beverly: Rockport, 2009.
MILLER, G. The magical number seven, plus or minus two: some limits on our capacity for processing information. Psychological Review, v. 63, p. 81-97, 1956.
MOTA, N. M. et al. Inhotim: o paisagismo e a identidade do jardim botânico. Pau Brasilia, v. 3, n. 1, 2020. DOI: 10.33447/paubrasilia.v3i1.34.
NORMAN, D. A. O design do dia a dia. Tradução: Ana Deiró. Rio de Janeiro: Anfiteatro, 2018.
OLIVEIRA, Í. S. C. S. et al. Explorando conceitos: pesquisa bibliográfica e elaboração de infográfico sobre definições do campo de Design da Informação. Revista Brasileira de Design da Informação, v. 14, n. 3, p. 285-308, 2017.
OLIVEIRA, R. R. et al. Parque Estadual do Sítio Rangedor, Maranhão, Brasil: aspectos socioeconômicos e percepção ambiental dos visitantes. São Luís: UFMA, 2023.
PARSLEY, K. M. Plant awareness disparity: a case for renaming plant blindness. Plants, People, Planet, v. 2, n. 6, p. 598-601, 2020.
PETTERSSON, R. Information design: principles and guidelines. Journal of Visual Literacy, v. 29, n. 2, p. 167-182, 2010.
PETTERSSON, R. Views on visual literacy. Journal on Images and Culture, v. 1, n. 1, p. 1-9, 2013.
PETTERSSON, R. It depends. Tullinge: Institute for Infology, 2024.
PETTY, R.; CACIOPPO, J. Communication and persuasion: central and peripheral routes to attitude change. Nova York: Springer-Verlag, 1986.
REDIG, J. Sobre desenho industrial (ou design) e desenho industrial no Brasil. Porto Alegre: UniRitter, 2005.
ROCHA, L. A. G.; CRUZ, F. de M.; LEÃO, A. L. Aplicativo para educação ambiental. In: XI Fórum Ambiental da Alta Paulista. Anais [...], v. 11, n. 4, p. 261-273, 2015.
ROUNDS, J. Strategies for the curiosity-driven museum visitor. Curator, v. 47, n. 4, p. 389-412, 2004.
SCANAVACA JR., L.; CORRÊA, R. F. M. Floresta urbana em Mogi Guaçu. Brazilian Journal of Agriculture, v. 95, n. 3, p. 175-190, 2020. DOI: 10.37856/bja.v95i3.4245.
SECRETARIA DE ESTADO DE GOVERNO DO MARANHÃO (SEGOV-MA). Extensão do Parque Rangedor recebe a exposição itinerante Feirinha Delas. São Luís, 2022. Disponível em: https://segov.ma.gov.br/noticias/. Acesso em: 15 set. 2024.
SECRETARIA DO ESTADO DE MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS (SEMA-MA). Parque Estadual do Sítio do Rangedor: plano de manejo. São Luís, 2017. Disponível em: http://www.sema.ma.gov.br/arquivos/1508965820.pdf. Acesso em: 7 jul. 2024.
SERRELL, B. Exhibit labels: an interpretive approach. Walnut Creek: AltaMira Press, 1996.
SOUZA, E. B.; MOÇO, M. C. C. Impercepção botânica na política ambiental. Jornal da Universidade, Porto Alegre - UFRGS, 2024. Disponível em: https://www.ufrgs.br/jornal/impercepcao-botanica-na-politica-ambiental/. Acesso em: 15 set. 2024.
SPINELLI-ARAÚJO, L. et al. Conservação da biodiversidade do estado do Maranhão: cenário atual em dados geoespaciais. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2016.
STANDING, L. Learning 10,000 pictures. Quarterly Journal of Experimental Psychology, v. 25, p. 207-222, 1973.
URSI, S.; SALATINO, A. É tempo de superar termos capacitistas no ensino de Biologia: impercepção botânica como alternativa para “cegueira botânica”. Boletim de Botânica, v. 39, p. 1-4, 2022. DOI: 10.11606/issn.2316-9052.v39p1-4.
WANDERSEE, J. H.; SCHUSSLER, E. E. Toward a theory of plant blindness. Plant Science Bulletin, v. 47, p. 2-9, 2001.
YOUNG, C.; WITTER, J. Developing effective brochures for increasing knowledge of environmental problems: the case of the gypsy moth. Journal of Environmental Education, v. 25, n. 3, p. 27-35, 1994.
Downloads
- Artigo 0
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Transverso

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Aviso de Direito Autoral Creative Commons
O tipo de licença utilizado nessa revista é CC BY. Essa licença permite que outras pessoas distribuam, remixem, adaptem e desenvolvam seu trabalho, mesmo comercialmente, desde que sejam creditadas pela criação original. Essa é a licença mais flexível oferecida. Recomendado para máxima disseminação e uso de materiais licenciados.
The type of license used in this magazine is CC BY. This license allows others to distribute, remix, adapt and develop their work, even commercially, as long as they are credited for the original creation. This is the most flexible license offered. Recommended for maximum dissemination and use of licensed materials.




