Design e Neurodivergência Cognitiva: caminhos para uma educação sustentável e inclusiva para estudantes superdotados
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Design social, superdotação, neurodivergência, educação inclusivaResumen
Este artigo parte de uma inquietação concreta: por que estudantes superdotados continuam sendo ignorados pelas políticas educacionais brasileiras, mesmo diante de evidências científicas sobre suas especificidades cognitivas e socioemocionais? A partir dessa pergunta, investigamos como o design (em sua dimensão social e estratégica) pode contribuir para práticas pedagógicas mais responsivas a esse grupo. Adotando a superdotação como neurodivergência de base neurobiológica (Fernandes, 2024), argumentamos que sua negligência educacional constitui também uma falha de sustentabilidade social. A pesquisa, qualitativa e desenvolvida por revisão bibliográfica narrativa, articula quatro eixos: (1) o design como ferramenta de transformação social; (2) os desafios na educação de superdotados; (3) a sustentabilidade social como dimensão da educação inclusiva; e (4) as contribuições do design alinhadas ao ODS 4. Os resultados indicam que abordagens como o Universal Design for Learning, o Design Thinking e os espaços colaborativos oferecem caminhos promissores, embora careçam de validação empírica no contexto brasileiro. Conclui-se que o design pode reposicionar a diversidade cognitiva como recurso coletivo.
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