Natureza como recurso:
tensões e reflexões para o ensino de Biologia
Visualizações: 20DOI:
https://doi.org/10.36704/eef.v29i58.10569Palavras-chave:
Educação Decolonial., Educação em Biologia., Epistemologia.Resumo
Este ensaio teórico propõe uma reflexão crítica sobre a concepção da natureza como recurso, questionando a naturalização dessa ideia no campo do ensino de Biologia. A provocação inicial surge de debates no Grupo de Estudos e Pesquisa em Interculturalidade e Educação em Ciências (GEPIC) como um desafio à resposta automática e afirmativa que essa pergunta costuma suscitar. A partir de uma análise etimológica e semântica dos termos “natureza” e “recurso”, o texto evidencia como a associação entre ambos revela uma perspectiva antropocêntrica, frequentemente sustentada por ideologias capitalistas e coloniais. O texto propõe repensar os fundamentos epistemológicos que sustentam o ensino da Biologia, especialmente nas interfaces com a educação ambiental e a interculturalidade, a fim de promover uma formação docente comprometida com uma relação mais ética e plural no e com o mundo.
Downloads
Referências
ARAÓZ, H. M. Mineração, genealogia do desastre: o extrativismo na América como origem da modernidade. São Paulo: Editora Elefante, 2020.
DESCOLA, P. Outras naturezas, outras culturas. São Paulo: Editora 34, 2016.
DIEGUES, A. C. S. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo: Hueitee, 2008.
DUSSEL, E. El encubrimiento del Outro: hacia el origen del “mito de la Modernidad.
La Paz: Plural, 1994.
FERDINAND, M. Uma ecologia decolonial: pensar a partir do mundo caribenho. São Paulo: Ubu editora, 2023.
GUDYNAS, E. Direitos da natureza: ética biocêntrica e políticas ambientais. São Paulo: Elefante, 2019.
HARAWAY, D. A reinvenção da natureza: símios, ciborgues e mulheres. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2023.
INGOLD, T. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimentos e descrição. Petrópolis: Vozes, 2015.
KATO, D. S.; GALAMBA, A.; MONTEIRO, B. A. P. Decolonial scientific education to combat ‘science for domination. Cultural Studies of Science Education, v. 18, 2023, p. 217–235. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11422-023-10165-4. Acesso em 18 nov. 2025.
KATO, D. S.; MARTINS, L. A. P. A. “sociologia de plantas”: Arthur George Tansley e o conceito de ecossistema (1935). Filosofia e História da Biologia, São Paulo, v. 11, n. 2, 2016, p. 189-202.
LATOUR, B. Políticas da natureza: como associar as ciências à democracia. São Paulo: Editora Unesp, 2019.
LÉVI-STRAUSS, C. O pensamento selvagem. Campinas, SP: Papirus, 1989.
MERÇON, J. Interculturalidade, natureza e educação. Afetos filosóficos. Rio de Janeiro: NEFI, 2020.
MIGNOLO, W. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.
MOORE, J. W. Antropoceno ou Capitaloceno? Natureza, história e crise do capitalismo.
São Paulo: Elefante, 2022.
MOTOKANE, M. T.; KAWASAKI, C. S.; OLIVEIRA, L. B. Por que a biodiversidade pode ser um tema para o ensino de ciências? In: MARANDINO, M.; MONACO, L. M.; OLIVEIRA, A. D. Olhares sobre os diferentes contextos da biodiversidade: pesquisa, divulgação e educação. São Paulo: GEENF/FEUSP/INCTTOX, 2010. p. 30-60.
Natureza. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2025. Disponível em https://www.dicio.com.br/natureza/. Acesso em 20 out. 2025.
OLIVEIRA, C. O Utilitarismo em John Stuart Mill. Dissertatio, v. 41, 2015, p. 11 – 29.
PORTO-GONÇALVES, C.W. Ecologia política na América Latina: reapropriação social da natureza e reinvenção dos territórios. Interthesis, v. 9, n. 1, jan./jun. 2012, p. 16-50.
Recurso. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2025. Disponível em https://www.dicio.com.br/recurso/. Acesso em 20 out. 2025.
VERGÉS, F.. Um feminismo decolonial. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
WULF, A. A invenção da natureza: a vida e as descobertas de Alexander von Humboldt. São Paulo: Planeta, 2016.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.











