Ensino de Química ao aluno cego:

um estudo sobre as barreiras de inclusão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36704/eef.v28i56.8434

Palavras-chave:

Barreiras Atitudinais, Educação Inclusiva, Deficiência visual

Resumo

A educação inclusiva é um direito das pessoas com deficiência, mas, o que se observa na prática é que a acessibilidade não está garantida e que as barreiras atitudinais são um grande obstáculo. Este trabalho investiga as barreiras atitudinais no processo de inclusão de uma aluna cega na educação básica e no ensino superior. A investigação ocorreu por meio de observações, entrevistas e dinâmicas conversacionais com a estudante, professores, gestores e colegas das instituições de ensino onde ela cursou o ensino médio e iniciou o ensino superior. Constatou-se que as barreiras atitudinais promovidas por professores, colegas e familiares da estudante (ainda que de forma inconsciente) interferiram em seu processo de inclusão. Conclui-se que, para além da acessibilidade arquitetônica, é preciso que as instituições realizem ações de modo a disseminar informações e reduzir o preconceito com a pessoa que possui deficiência para que assim a sua inclusão possa ser efetivada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Raimundo Nonato Filho, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Mestre em ensino de ciências, tem experiência na área de Química e administração pública atuando principalmente nos seguintes temas: situações-problemas, jogos didáticos, ensino-aprendizagem, minerais argilosos reestruturados e linguagem escrita.

Bruna Sabrina Fernandes, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Graduanda em Licenciatura em Química pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) - Campus Pau dos Ferros/RN. Foi bolsista Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, no subprojeto Química e do Programa Residência Pedagógica.

Ayla Márcia Cordeiro Bizerra, IFRN

Possui graduação em Licenciatura em Química, mestrado e doutorado em Química, com área de concentração em Química Orgânica pela Universidade Federal do Ceará e pós-doutorado em Didáticas de Ciências pela Universidad de Burgos. É professora do IFRN e atua em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGE) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, e docente do Programa de Doutorado da Rede Nordeste de Ensino (RENOEN).

Referências

AUGESTAD, L. B. Mental health among children and young adults with visual impairments: a systematic review. Journal of Visual Impairment & Blindness, v. 111, n. 5, p. 411-425, 2017.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70 Ltda, 2016.

BARROS, A. P. M.; DANTAS FILHO, F. F. Avaliação de materiais didáticos: uma proposta de ensino do conteúdo geometria molecular para alunos com deficiência visual. Revista Insignare Scientia, v. 2, n. 2, p. 56–75, set. 2019.

BENITE, C. R. M.; BENITE, A. M. C.; BONOMO, F. A. F.; VARGAS, G. N.; ARAÚJO, R. J. S.; ALVES, D. R. A experimentação no Ensino de Química para deficientes visuais com o uso de tecnologia assistiva: o termômetro vocalizado. Química Nova na Escola, v. 39, n. 3, p. 245-249, ago. 2017.

BISHOP, D.; RHIND, D. J. A. Barriers and enablers for visually impaired students at a UK Higher Education Institution. British Journal of Visual Impairment, v. 29, n. 3, p. 177-195, 2011.

BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2007.

BRASIL (a). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Básica 2022: notas estatísticas. Brasília, DF: INEP, 2023. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://download.inep.gov.br/areas_de_atuacao/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2022.pdf. Acesso em: 11 jan. 2024.

BRASIL (a). Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Grafia Química Braille para Uso no Brasil. Brasília: SECADI, 3ª Edição. Brasília, DF, 2017. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=74021-quimica-braille-para-uso-no-brasil-pdf&category_slug=outubro-2017-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 16 dez. 2023

BRASIL (b). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Resumo técnico do Censo da Educação Superior 2022. Brasília, DF: Inep, 2023. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_escolar_2022.pdf. Acesso em: 11 jan. 2024.

BRASIL (b). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação 2017. Brasília, DF: Inep, 2017. Disponível em: http://inep.gov.br/sinopses-estatisticas-da-educacao-superior. Acesso: 20 jan. 2024.

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF, 2008. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 20 dez. 2023.

BUENO, J. J.; BUENO, S.; PORTILHO, E. M. L. Aspectos históricos da educação inclusiva no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023038, 2023. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.17822

CAMARGO, E. P. O ensino de Física no contexto da deficiência visual: elaboração e condução de atividades de ensino de Física para aluno cego e com baixa visão. 2005. Tese (Doutorado em Educação), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

CAVALCANTE, C. H. S. Integrar x incluir: divergências sobre a educação especial. In: CINTEDI, 3, Campina Grande, 2018. Anais [...] Campina Grande: Realize Editora, 2018. Disponível em: https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/44743.

COSTA, J. M. M.; PIECZKOWSKI, T. M. Z. Inclusão de Estudantes com Deficiência na Educação Superior na Perspectiva da Gestão Universitária. Educação em Revista, v. 36, e208179, 2020.

DARIM, L. P.; GURIDI, V. M.; AMADO, B. C. A multissensorialidade nos recursos didáticos planejados para o ensino de ciências orientado a estudantes com deficiência visual: uma revisão da literatura. Revista Educação Especial, v. 34, p. 1-28, 2021.

FIGUEIREDO, R. M. É.; KATO, O. M. Estudos Nacionais sobre o Ensino para Cegos: uma Revisão Bibliográfica. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 21, n. 4, p. 477-488, dez. 2015.

FIORINI, M. L. S.; MANZINI, E. J. Dificuldades e Sucessos de Professores de Educação Física em Relação à Inclusão Escolar. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 22, n. 1, p. 49-64, mar. 2016.

FIRAT, T. Experiences of students with visual impairments in higher education: barriers and facilitators. British Journal of Special Education, v. 48, n. 3, p. 301-322, 2021.

Fundação Dorina Nowill para Cegos. Livro braille [online]. 2016. Disponível em: https://fundacaodorina.org.br/nossa-atuacao/distribuicao-de-livros/formatos-acessiveis/livro-braille/» https://fundacaodorina.org.br/nossa-atuacao/distribuicao-de-livros/formatos-acessiveis/livro-braille/. Acesso em: 20 jan. 2024.

GERALDO, M. L. G.; VERASZTO, E. V.; CAMARGO, A. C. A. F. Ensino de química para deficientes visuais: uma síntese de estudos desenvolvidos em uma universidade do estado de São Paulo. Revista Insignare Scientia, v. 4, n. 3, p. 614-632, mar. 2021.

GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2018.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GLAT, R.; NOGUEIRA, M. L. L. Políticas educacionais e a formação de professores para a educação inclusiva no Brasil. Revista Integração, v. 24, p. 22-27, 2014.

GOFFMAN, E. Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

GONÇALVES, F. P.; REGIANI, A. M.; AURAS, S. R.; SILVEIRA, T. S.; COELHO, J. C.; HOBMEIR, A. K. T. A Educação Inclusiva na Formação de Professores e no Ensino de Química: A Deficiência Visual em Debate. Revista Química Nova Escola, São Paulo, v. 35, n. 4, p. 264-271, 2013.

GONZÁLEZ REY, F. O valor heurístico da subjetividade na investigação psicológica. In: GONZÁLEZ REY, F. Subjetividade, complexidade e pesquisa em psicologia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. p. 27-51.

JOSHI, A.; RAY, S. L. Facilitators and barriers to education for chiropractic students with visual impairment. Journal of Chiropractic Education, v. 34, n. 2, p. 116-124, 2019.

LIRA, M. C. F.; SCHLINDWEIN, L. M. A pessoa cega e a inclusão: um olhar a partir da psicologia histórico-cultural. Cadernos CEDES, Campinas, v. 28, n. 75, p. 171-190, ago. 2008.

LOURENS, H.; SWARTZ, L. Experiences of visually impaired students in higher education: bodily perspectives on inclusive education. Disability & Society, v. 31, n. 2, p. 240-251, 2016.

MACIEL, M. R. C. Portadores de deficiência: a questão da inclusão social. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 51-56, jun. 2000.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2018.

MARTINS, L. M. S. M.; SILVA, L. G. S. Trajetória Acadêmica de uma estudante com deficiência visual no ensino superior. Revista Educação em Questão, v. 54, n. 41, p. 251-274, maio/ago. 2016.

NURENBERG, A. H. Rompendo barreiras atitudinais no contexto do ensino superior. In: ANACHE, A. A.; SILVA, L. R. (Orgs.). Educação Inclusiva: experiências profissionais em psicologia. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2009. p.172.

OLIVEIRA, R. C. M. (Entre)Linhas de uma pesquisa: o diário de campo como dispositvo de (in)formação na/da abordagem (auto)biográfica. Revista Brasileira de Educação de Jovens e Adultos, v. 2, n. 4, 2014.

PANSANATO, L. T. E.; RODRIGUES, L.; SILVA, C. E. S. Inclusão de estudante cego em curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas de uma instituição pública de ensino superior: um estudo de caso. Revista Educação Especial, v. 29, n. 55, p. 471-486, maio/ago. 2016.

PAULA, T. E.; GUIMARÃES, O. M.; SILVA, C. S. Formação de professores de química no contexto da educação inclusiva. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v. 11, n. 1, p. 3-29, maio. 2018.

RAZUCK, R. C. S. R.; GUIMARÃES, L. B. O desafio de ensinar modelos atômicos a alunos cegos e o processo de formação de professores. Revista Educação Especial, v. 27, n. 48, p. 141-154, jan./abr. 2014.

RIBEIRO, D. M. Barreiras Atitudinais: obstáculos e desafios à inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior. Curitiba: CRV, 2018.

RIBEIRO, D. M. Barreiras atitudinais: obstáculos e desafios à inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior. 2016. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2016.

RODRIGUES, D. Inclusão e Educação: doze olhares sobre a Educação Inclusiva. São Paulo: Summus Editorial, 2006.

SANTOS, A. D. P.; MEDOLA, F. O.; PASCHOARELLI, L. C.; LANDIM, P. C. Tecnologia Assistiva para pessoas com deficiência visual: uma análise da produção tecnológica do Brasil. Cadernos de Prospecção, Salvador, v. 11, n. 5, Ed. Esp., p. 1502-1512, dez. 2018.

SANTOS, G. C. M.; SANTOS, P. P. B.; PRINCIPE, G. A. M. S.; VALIM, R.; ALMEIDA, V. E. Barreiras atitudinais: discutindo inclusão no cotidiano escolar através do capacitismo. Revista Educação Especial, v. 36, n. 1, p. 1-28, 2023.

SASSAKI, R. K. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação (Reação), São Paulo, Ano XII, p. 10-16, mar./abr. 2009.

SCHWAHN, M. C. A.; ANDRADE NETO, A. S. Ensinando Química para alunos com deficiência visual: uma revisão de Literatura. In: ENPEC, 8, Campinas, 2011. Anais [...] São Paulo, 2011. Disponível em: http://abrapecnet.org.br/atas_enpec/viiienpec/resumos/R1557-1.pdf. Acesso em: 22 Dez, 2023.

SILVA, F. T. S. Educação Não Inclusiva: a trajetória das barreiras atitudinais nas dissertações de educação do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFPE). 2012. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2012.

SILVA, J. C.; PIMENTEL, A. M. Inclusão educacional da pessoa com deficiência visual no ensino superior. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 29, e2904, 2021. https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAR2193

SILVA, L. V. Inclusão escolar para alunos cegos: acessibilidade ao conceito de substância em um livro didático de química em formato daisy. 2019. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência), Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2019. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/182829. Acesso em: 15 abr. 2023.

TOMELIN, K. N.; DIAS, A. P. L.; SANCHEZ, C. N. M.; PERES, J. Educação inclusiva no ensino superior: desafios e experiências de um núcleo de apoio discente e docente. Revista Psicopedagogia, v. 35, n. 106, p. 94-103, 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862018000100011&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 13 Jan. 2024

Downloads

Publicado

29/12/2025

Como Citar

Nonato Filho, R., Sabrina Fernandes, B., & Cordeiro Bizerra, A. M. (2025). Ensino de Química ao aluno cego:: um estudo sobre as barreiras de inclusão. Educação Em Foco, 28(56), 1–27. https://doi.org/10.36704/eef.v28i56.8434

Edição

Seção

Relato de experiência