Ensino de Química ao aluno cego:
um estudo sobre as barreiras de inclusão
DOI:
https://doi.org/10.36704/eef.v28i56.8434Palavras-chave:
Barreiras Atitudinais, Educação Inclusiva, Deficiência visualResumo
A educação inclusiva é um direito das pessoas com deficiência, mas, o que se observa na prática é que a acessibilidade não está garantida e que as barreiras atitudinais são um grande obstáculo. Este trabalho investiga as barreiras atitudinais no processo de inclusão de uma aluna cega na educação básica e no ensino superior. A investigação ocorreu por meio de observações, entrevistas e dinâmicas conversacionais com a estudante, professores, gestores e colegas das instituições de ensino onde ela cursou o ensino médio e iniciou o ensino superior. Constatou-se que as barreiras atitudinais promovidas por professores, colegas e familiares da estudante (ainda que de forma inconsciente) interferiram em seu processo de inclusão. Conclui-se que, para além da acessibilidade arquitetônica, é preciso que as instituições realizem ações de modo a disseminar informações e reduzir o preconceito com a pessoa que possui deficiência para que assim a sua inclusão possa ser efetivada.
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