O ensino das humanidades na era da tecnocracia

Autores

Palavras-chave:

Humanidades; educação humanística; phrónesis; sophía; tecnocracia.

Resumo

Neste artigo examina-se a especificidade epistemológica das humanidades frente à hegemonia do modelo científico-quantitativo na educação contemporânea. Argumenta-se que a insistência em denominar as humanidades de "ciências humanas" revela a tendência tecnocrática de submeter todo conhecimento aos cânones do método científico, desconsiderando formas legítimas de saber que operam segundo uma lógica qualitativa e simbólica. A partir de uma análise histórica da educação ocidental, o artigo recupera dois ideais pedagógicos complementares desenvolvidos na Antiguidade: a phrónesis (prudência), cultivada pela tradição retórica de Isócrates, e a sophía (sabedoria), buscada pela philosophía platônica. Traça-se o percurso dessas duas tradições através da Roma antiga, da Idade Média e da educação jesuítica, até seu progressivo desaparecimento com a ascensão da especialização técnica na modernidade. Conclui-se que as humanidades, antes de constituírem uma especialidade acadêmica, representam um caminho formativo em direção à sabedoria, oferecendo competências essenciais para a vida democrática e profissional contemporânea.

Biografia do Autor

Bernardo G. S. Lins Brandão, Doutorado em Filosofia pela UFMG. Professor FALE.UFMG

Doutor e Mestre em Filosofia pela UFMG. Professor de Língua e Literatura Grega Antiga na Faculdade de Letras. FALE. UFMG

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Publicado

2025-12-24

Como Citar

G. S. Lins Brandão, B. (2025). O ensino das humanidades na era da tecnocracia. SCIAS - Educação, Comunicação E Tecnologia, 7(2), 77–87. Recuperado de https://revista.uemg.br/sciasedcomtec/article/view/10568