Tessitura de Nós. Escrevivências

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Palavras-chave:

escrevivência; corpo; cultura afro-brasileira; mulheres negras.

Resumo

A conferência transcrita versa sobre o valor de uma escrita construída sobre ações que ocorrem no coletivo, escrita que pode ser condensada na complexidade do sentido de escrevivência, como forma, caminho ou ferramenta para viabilizar textos de mulheres negras e de suas experiências de vida. O termo escrevivência liga-se ao corpo negro, em especial, ao corpo das mulheres negras escravizadas e, particularmente, à figura da Mãe Preta, como uma imagem-gênese que se demonstra como elemento fundamental de revisão do passado e da cultura brasileira. Se o espelho de Narciso nunca acolheu o rosto das mulheres negras, foi preciso buscar elementos de outras culturas, para além das eurocêntricas, como suporte teórico para que a leitura dos textos possa ocorrer com a ajuda do espelho de Oxum, que permite ao olhar construir subjetividades e adquirir dignidades com amplo alcance da cosmologia africana e afro-brasileira.

Biografia do Autor

Conceição Evaristo , Academia Mineira de Letras

Conceição Evaristo (Maria da Conceição Evaristo de Brito) é renomada linguista e escritora brasileira. Mestre em Literatura Brasileira pela PUC Rio e Doutora em Literatura Comparada pela RFF. Uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, com publicações em vários gêneros, como poesia, romance, conto e ensaio. Suas obras abordam temas sobre racismo, desigualdade social, identidades, memória. Criadora do termo escrevivência, na forma de seu uso, como conceito literário, acerca da vivência de mulheres negras e ancestrais na literatura. Entre seus livros podem ser citados: Ponciá Vivêncio (2003), Becos da Memória (2006), Olhos D’água (2014), Histórias de Leves Enganos e Parecenças (2016), Canção para Ninar Menino Grande (2018), Poemas da recordação e outros movimentos (2017). Sua Dissertação de Mestrado, datada de 1994, tem como título: Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-Brasilidade, com publicação pela Editora Pallas, 2026. Foi vencedora do Prêmio "Intelectual do Ano" (Troféu Juca Pato) concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE) de 2023, pela obra Canção para ninar menino grande, e Prêmio Jabuti (2015, pela Obra Olhos D’água). Eleita “imortal” da Academia Mineira de Letras (2024) ocupando a Cadeira nº40. Foi pesquisadora visitante na UFF e titular da Cátedra Olavo Setúbal na USP (2022).
Esta conferência ocorreu na sede da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/UEMG), em 30 de setembro de 2025.

Referências

EVARISTO, Conceição. Becos da Memória. 3.ed. Rio de Janeiro: Pallas. 2017.

EVARISTO. Conceição. Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-Brasilidade.

Rio de Janeiro: Pallas Editora, [1994] 2026.

EVARISTO, Conceição. Olhos D’água. Rio de Janeiro: Pallas; Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

EVARISTO, Conceição. Vozes-mulheres. In: Cadernos Negros 13. São Paulo: Quilombhoje, 1990. p. 32-33. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/6/16/vozes-mulheres

GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. Ilustrações Saritah Barboza. 2. ed. São Paulo: FTD, 1998, (Coleção canto jovem).

REIS, Maria Firmino dos. Úrsula. Florianópolis: Mulheres, [1859] 2004.

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Publicado

2026-08-04

Como Citar

Evaristo , C. (2026). Tessitura de Nós. Escrevivências. SCIAS. Educação, Comunicação E Tecnologia, 8(1), 8–20. Recuperado de https://revista.uemg.br/sciasedcomtec/article/view/11248

Edição

Seção

Seção Especial - Escrita Feminina