A INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA AGOSTINIANA NA PERCEPÇÃO DO BEM, DA LIBERDADE E DA ÉTICA NA ENGENHARIA

Autores

  • Daniel Daré Luziano da Silva Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
  • Daniel Henrique Nardini Zitelli Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
  • Tiago Eurico de Lacerda Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Palavras-chave:

Engenharia, Ética, Agostinho de Hipona, Bem Comum, Corrupção.

Resumo

Este artigo aborda a ética na engenharia sob a ótica da filosofia de Agostinho de Hipona, com foco especial no conceito do bem, da liberdade e do mal. A análise se baseia principalmente nas reflexões agostinianas sobre o livre-arbítrio e sua consequência moral, evidenciando como a escolha dos bens inferiores pode levar ao mal. Este trabalho proporciona um estudo da influência da busca incessante pelo Bem Supremo na conduta do engenheiro e sugere que o principal objetivo profissional deve ser o bem comum. Ao examinar as três possíveis fontes de "má engenharia" - apego ao ego, apego à ciência e apego aos bens materiais - argumenta-se que somente a submissão à razão e a busca da verdade podem conduzir a profissão a manter seu papel como guardiã da sociedade e do bem comum. O artigo conclui que a engenharia, como qualquer profissão, pode ser desvirtuada quando se desvia da busca pelo bem supremo, assim como Agostinho entendia o mal como um afastamento do bem. Este estudo oferece uma nova perspectiva sobre o papel do engenheiro e a importância da ética na engenharia, utilizando a filosofia agostiniana como base para compreender as implicações sociais e políticas desta profissão além da tecnologia.

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Publicado

2024-04-01

Como Citar

Daré Luziano da Silva, D., Henrique Nardini Zitelli, D., & Eurico de Lacerda, T. (2024). A INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA AGOSTINIANA NA PERCEPÇÃO DO BEM, DA LIBERDADE E DA ÉTICA NA ENGENHARIA. SAPIENS - Revista De divulgação Científica, 5(2), 166–187. Recuperado de https://revista.uemg.br/index.php/sps/article/view/7667