Sobre a Revista

A Revista Histórias Públicas tem o objetivo de promover um espaço de publicação e divulgação das atividades de pesquisa, ensino e extensão, incentivando reflexões, especialmente, sobre o campo da história pública, assim como a divulgação do conhecimento histórico, a utilização de novas tecnologias na área e a inovação do ensino de história. 

Chamada abertas para o Dossiê:

Inquisição: persistências, consequências e influências no Brasil, da colônia aos nossos dias

Organizador:

Angelo Adriano Faria de Assis (UFV)

Cronograma: 

Submissões:  até 10 de fevereiro de 2023

Os momentos de efemérides são sempre oportunidade para que tanto a sociedade, em geral, quanto a historiografia, em particular, possam repensar os significados de fatos e personagens marcantes de nossa história. O bicentenário de nossa independência política é exemplo dos diversos tipos de usos e apropriações que se pode fazer deste passado, não raro refletido em interesses escusos de grupos de poder. Mas pode ser também oportunidade de discutir o peso de um passado que nos forjou e ainda nos orienta em muitos sentidos, auxiliando-nos a compreender o que somos, o que nos une e nos torna únicos, bem como o modo de divulgarmos este passado. É neste sentido que propomos este dossiê.

Em 2021, celebraram-se os duzentos anos da extinção do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição português, no contexto das revoltas iniciadas com a Revolução Liberal do Porto (1820) que pôs fim ao absolutismo português e, do outro lado do Atlântico, conforme a outra efeméride apontada acima, acelerou o processo de independência política do Brasil. Era o fim oficial de quase três séculos de intolerância e perseguição religiosa movida em nome da fé, vitimando milhares de vidas, criando uma atmosfera de medo que atingia a todos.

É fato que o campo dos estudos inquisitoriais no Brasil tem avançado muito nas últimas décadas, e já pode ser contado por gerações. Atualmente, o tema é estudado em instituições de todo o país. Solidificou-se a partir de pesquisadores preocupados em compreender o Santo Ofício e seus personagens, seja entendendo as motivações, engrenagens, imaginários, ações e colaboradores no afã de controlar o comportamentos e crenças dentro da norma cristã católica, seja a partir dos estudos de caso envolvendo os perseguidos e vitimados de todo o tipo – os simples denunciados, os que viviam sob a pressão do medo persecutório, as especificidades dos processos de resistência, os processados e punidos de toda sorte (no limite, com a própria morte)... Os estudos têm-se renovado constantemente, incentivados pela expansão dos programas de mestrado e doutorado; pelo contato e diálogo cada vez mais frequente entre pesquisadores brasileiros e do exterior; pela interação dos investigadores do tema com pesquisadores de outros campos científicos, permitindo discussões para além da História; pela disponibilização de acervos documentais em formato online; pela divulgação dos estudos em trabalhos acadêmicos, revistas especializadas, produções culturais diversas, livros e outros meios de divulgação. Sintoma de que a Inquisição e tudo que a orbita é tema muitíssimo longe de esgotar-se, ganhando novas e ricas possibilidades.

Aqui, abrimos o leque para pensar estas reflexões no contexto da História Pública, em seu sentido mais amplo: entender a História e o uso que fazemos dela. Assim, como pensar os estudos da Inquisição não apenas na Academia, mas também além desta? Que meios, mídias, formatos e discussões têm buscado tornar possível o desencastelamento do tema, tornando-o mais próximo e interessante de um público mais amplo – e o porquê da importância disto?

Para tanto, convidamos pesquisadores interessados para discutir o assunto da Inquisição e de seus personagens em seus mais variados âmbitos e abordagens. São todos bem-vindos a colaborar nesta proposta, que pretende analisar o mundo do Santo Ofício em suas múltiplas facetas, permitindo que os debates sejam revisitados, atualizados e colocados em destaque. Afinal, pensar o passado é também rever nosso próprio tempo.

***

Próximos Dossiês - 2023 e 2024

Historiografia e Teoria da História

Mauro Franco Neto (UEMG)

Neste dossiê pretendemos acolher trabalhos que discutam o problema da temporalidade nas suas variadas formas. A Teoria da História há muito vem investigando o tempo como um problema historiográfico e, pelo menos desde Reinhart Koselleck e François Hartog, a questão fundamental gira em torno de como sociedades e grupos organizaram as fronteiras e distâncias entre passado, presente e futuro. Serão bem vindos ainda trabalhos que discutam o tempo nas suas dimensões política e existencial, bem como nos usos públicos da temporalidade no passado e no mundo contemporâneo.

O Regime Vargas em Perspectiva 

Thiago Mourelle (Arquivo Nacional)

Sendo o presidente mais longevo da história do Brasil (1930-1945 e 1951-1954), as ações de Vargas e de seu grupo político tiveram ampla influência em vários setores da sociedade, em especial nos trabalhadores urbanos. A construção de sua imagem pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) consolidou a imagem do líder como uma figura bastante admirada por grande parte da população. Partindo dessa premissa, o presente dossiê buscará compreender esse processo, inclusive os diversos aspectos de seu governo relacionados à economia, política, cultura e relações internacionais.